sábado, 1 de dezembro de 2007

Cruz e Sousa, poeta negro brasileiro

João da Cruz e Sousa faleceu a 19 de Março de 1898, aos 36 anos, e a história da sua vida é uma das mais trágicas da literatura brasileira. Filho de um casal de escravos, "recebeu o nome do santo do dia, João da Cruz, e o sobrenome do senhor do seu pai", o Marechal-de-Campo Guilherme Xavier de Sousa. "(...) Negro puro, (...) deixava três filhos e uma viúva grávida. Esses três filhos, um por um, sucumbirão à mesma tuberculose. A eles seguir-se-á a mãe. Apenas o filho póstumo, com o mesmo nome do pai, escapará da hecatombe familiar, para, por sua vez, morrer da mesma doença aos dezessete anos, em 1915.
Deixava grávida, no entanto, a menor Francelina Maria da Conceição, que, após gerar o neto do poeta, (...) morreria atropelada por um bonde". Considerado o maior poeta do Simbolismo brasileiro, Cruz e Sousa foi protegido e educado pela esposa do Marechal-de-Campo e depressa revelou grandes aptidões intelectuais, de onde uma extrema desadequação ao seu meio de origem e o embate violento com o preconceito racial.
A vida atribulada desta grande personalidade das letras brasileira é também pretexto para uma criteriosa amostragem de um dos seus melhores e mais belos poemas:


Cárcere das almas

Ah! Toda a alma num cárcere anda presa,
Soluçando nas trevas, entre as grades
Do calabouço olhando imensidades,
Mares, estrelas, tardes, natureza.

Tudo se veste de uma igual grandeza
Quando a alma entre grilhões as liberdades
Sonha e, sonhando, as imortalidades
Rasga no etéreo o Espaço da Pureza.

Ó almas presas, mudas e fechadas
Nas prisões colossais e abandonadas,
Da Dor no calabouço, atroz, funéreo!

Nesses silêncios solitários, graves,
Que chaveiro do Céu possui as chaves
para abrir-vos as portas do Mistério?!

3 comentários:

Anônimo disse...

legal

esquiva linhagem negra disse...

Poeta negro brasileiro e nós brasileiros nada sabemos ou insistimos em fechar nossos olhos para ícones como Souza e Cruz, fica aqui meu "DESABAFO NEGRO",nossa negritude só será alicerçada se na nossa construção poetas como Luiz Gama, Solano Trindade e tantos outos sejam estudados e apresentados devidamente como foram e o que fizeram.

vera passos disse...

Lamento que os Professores de língua portuguesa, nem sempre trabalhem a poesia e os poetas brasileiros. O Brasil carece de poesia para amenizar suas lutas e sofrimentos.Conheço centenas de poetas contemporâneos e as Escolas desconhecem e às vezes desvalorizam. Vera Passos , Salvador-Bahia